domingo, 17 de fevereiro de 2013

Dignidade das putas


Foto: Jean Loup Sieff




Por ter falado em irmandade conjugal no post anterior, lembrei das muitas mulheres que, confessas, não se separam pela condição financeira. Cada uma tem lá suas razões, respeito, mas sempre me ocorre duas questões quando sou confessionário: qual a medida do prazer entre estas mulheres e as prostitutas? E qual a medida que estabelece (pre)conceitos e direitos sociais entre as duas?
Respeitando a opção das outras, admiro um bocado  a dignidade das putas.



Lembrei disso do Roberto Lyra:


Há trâmites compridos,
Que encapam os caninos do cowboy.
É o caso,
É o orgasmo colorido,
É a transa do sábado deserto
Debitada na conta corrente:
Juros altos,
Cartão de crédito sexual,
Que não se acaba nunca de pagar
- Como, aliás, no velho matrimônio,
Este michê instituído,
Com tabelas mercenárias,
Usurárias,
Irritações,
Prisões,
Grilhões:
Para acabar, inventário, partilha;
Dividem-se
Os bens, os filhos e talvez
Umas lembranças murchas.
Amor já não existe a partilhar.

Mas ninguém é bom mesmo,
Ninguém é peste sem remédio,
Somos todos vítimas das engrenagens.
A putaria é só seu avesso
Menos hipócrita, inclusive,
Dispensando escrituras e sermões.

                                 







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