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sábado, 16 de outubro de 2010
Minha moeda de troca
Minha moeda de troca são ideias e atitudes.
Ideias de quem faça diferente, faça a diferença.
Dispense tratamento desigual, para igualar a diferença.
Atitudes alinhadas à aceitação.
À compreensão
De que há muito a ser feito
a ser descoberto,
A qualquer tempo, pois crescente
- embora a finitude.
Troco com quem conjuga o verbo no tempo presente, porque faz.
Constroi a liberdade.
E faz-se livre nos exatos limites da liberdade alheia.
Não tão insanos a ponto de feri-la,
Nem tão sanos a ponto de temer o rompimento com o tido normal.
Porque normose sugere 'mornose',
É quase quente, é quase frio.
É quase algo
Um nada ser.
Troco com quem diz sim.
E com quem diz não.
Porque o talvez não posiciona.
E não posicionar
É não dar a conhecer.
É estático, amorfo.
[Embora movimento hoje
não guarde relação com falas,
signifique apenas girar
a moeda circulante.]
Troco com quem duvida do absoluto,
Rejeita o estereótipo,
Acolhe a ideia de boa-fé de todos os atos.
E onde houver desalinho,
Não sentencia
Sem antes dar a saber
A origem do desajuste.
Troco com quem enxerga para além do cotidiano,
Mas que vislumbra a graça da rotina.
Que faz no presente, e sonha o futuro.
Ciente de que é corrente.
Que tudo muda de lugar.
Troco com quem não nega o passado,
Que encontra força e valor
Quando compreende ser ele substância
Do agora e do porvir.
[Qualifica o ser,
e o vir-a-ser?]
Troco, acima de tudo, com quem sente.
Quando sentir é capacidade, desejo
De acarinhar tudo que faça
Tudo na volta,
Todos à volta.
De amar.
E por saber do amor,
Compreende o cáustico no olhar
E na língua
- que falam.
Ciente ser o ácido
Elemento circunstancial
- por passageiro.
Como passageiros são os alvoreceres
As fases da lua,
O movimento das marés.
Assim como os amores que pareceram
E por parecência
Deixei ir.
- e os que se fizeram
guardo até hoje
dentro [e fora] de mim.
Troco com quem vê o mundo para além do universo individual.
Troco por substratos.
.
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