sexta-feira, 11 de junho de 2010

Um dia paradoxal: da morte à balada

Hoje saí mais cedo do trabalho, pois tinha agendado fazer alguns exames médicos de rotina.

Sempre que fazemos exames laboratoriais, ou consulta médica, as pessoas próximas ou o médico que nos atenda vão logo perguntando se tem algo errado. Não, nada errado, preventivo mesmo! - é a resposta.

Pois é, preventivos, rotina. Prevenir, adiar, minimizar efeitos. A razão é uma só, postergar a morte. Ai! Pesado isso? É, ninguém tem apreço pelo tema – ao menos na contemporaneidade não.

A questão finitude é sempre posta de lado, deixada pra lá, adiado o enfrentamento para mais tarde, quando realmente bater à porta de cada um.

Não, não pretendo dizer do lado sombrio da finitude do corpo para o ser humano contemporâneo, sequer discorrer sobre seu significado para os povos antigos para melhor compreender as transformações de sua representação. Nem mesmo dizer das múltiplas formas de morte em vida. A intenção é outra.

É que hoje, por conta das repetidas vezes que ouvi a mesma fala - algo errado? -, acabei lembrando sim da talzinha, e com ela lembrei de uma palestra sobre o tema que assisti dia destes no Café Filosófico (programa altamente recomendado, ao invés do Show da Vida nos domingos à noite – canal TV Cultura-SP, 23h).

Enfim, o evento exames médicos de hoje, e que gerou as perguntas repetidas, me fez lembrar um registro da palestra, quando foi mencionado que a morte faz questionar o sentido da vida, desafia pensar a nossa condição. E, aqui o mote da lembrança, que quando fazemos isso, a morte se revelaria como um instante de vida.

Pois é, sem maiores filosofadas sobre o tema, enquanto me dirigia ao laboratório acabei pensando exatamente nisto, do quanto pode ser verdadeira a sentença de que nos instantes em que somos convocados a pensar a finitude é que avaliamos mais profundamente nossa condição, em vida. E que, sim, apesar das inquietudes, angústias e dúvidas que o fim possa causar, é somente neste exato instante que ela, a morte, se reveste de vida, pois invoca repensar nossa existência.
Por mais paradoxal que pareça, é o lado bom de se pensar ‘na desconhecida’, ainda que a única certeza desta vida.

Mas, noves fora, em seguida outro paradoxo do dia.
Chego em casa, vou ler meus e-mails e vejo uma sequencia de trocas entre um grupelho de mulheres, organizando uma balada para o final de semana. Para minha surpresa, fui incluída.
A surpresa não está no convite ou evento propriamente, embora não seja baladeira, mas sim na mescla de mulheres do grupo e, principalmente, no conteúdo do último e-mail recebido, que foi o primeiro que li. Dizia exatamente assim:
Olha.. ainda não sei se vou pra Cachoeira ou não, aviso vcs amanhã.. mas se eu ficaaaaar NAO QUERO SABER DE KO! E voto em uma noite mais pegada do que a Dublin. Estou pela maldade! hahaha

Bem, tive que parar para fazer algumas traduções até chegar à proposta da mocinha. Achei ótimo o exercício. Não sabia o que era 'KO', pensei, pensei e, sem me socorrer dos universitários, traduzi: caô. Bingo! Também não sabem o que significa? Gíria importada, carioca: mentira, golpezinho, ‘dar pra trás’, mentira branca. Enfim, seguindo a tradução ‘uma noite mais pegada’: lugar onde haja maiores possibilidades de encontrar pessoas que se aproximem de mim. E finalmente, ‘Estou pela maldade’: quero sair para ficar com alguém.

Pois então. Lidos e traduzidos os e-mails do grupo, e rindo de outras pérolas impublicáveis que achei por lá, fiquei pensando na diversidade do grupo e no quanto sempre poderá ser rica a interação com diversas tribos quando vemos apenas o ouro puro que se pode extrair de quaisquer situações. Bem, apesar disso, fato é que acabei linkando as falas da mocinha com o que eu havia pensado enquanto me dirigia ao laboratório de exames, e tive nisto um dos exemplos dos incontáveis mecanismos que as pessoas empregam para sentirem-se vivas, apesar da forma.

É instintivo proteger-se da morte. E para isso, vê-se que somos incansáveis nas múltiplas formas do sentir-se vivo.  Muitos não estão na idade de se apropriarem minimamente do significado finitude - e não que idade cronológica seja prerrogativa para isso. Outros, com mais milhas percorridas, com mais trecho, já tiveram algum contato com ela. Embora as diferenças, a similaridade estaria no fato de que não se tem o hábito do exercício de valorizar a vida, vai-se vivendo simplesmente, sem lembrar de que é com base em escolhas, boas ou ruins, certas ou erradas, conscientes ou não, que estabelecemos nossa condição - de vida.

Por isso, talvez não seja menos verdade que pensar nela, a morte, se revele um belo exercício de apropriação, valorização e recondução da vida, a partir de novas ou velhas escolhas. Sei que há controvérsias, mas é uma forma, também, de sertir-se vivo.

Ah, quanto ao grupelho de mulheres, vi que nem todas estavam pela 'maldade' e elegeram o lugar com a 'pegada' da diversão, pura e simplemente.



sábado, 5 de junho de 2010

As flores

Certa vez concluí: Flores são poesias não escritas.
Entretanto, pensando melhor ao ser presenteada com estas, complementaria que podem ser elas a materialização da palavra poética em sua plasticidade, cores, cheiros, e na dedicação à escolha.
Surpreendentes tulipas. Flores do frio, que aquecem a chegada deste inverno.





quinta-feira, 27 de maio de 2010

Tempo através dos sentidos

,E sigo(ia) sem tempo.
Tempo. Refiro-me ao tempo de existir/coexistir em todas as esferas. Embora isso, claro que coexisto, co-habito, correlaciono, relaciono, transito, corro, paro, acelero, estanco, penso, medito, navego, voo. Medito? Ok, não foi boa a expressão. Melhor: sopeso, pondero, crio, recrio, construo, desconstruo, refaço, reinvento.

A questão é: um dos tempos que me tem faltado é para isto aqui: escrever. Um espaço dedicado a canalizar as tempestades de pensamentos e ideias, fruto de fatos e circunstâncias que provocam a imaginação, e imploram uma via de fluição.

Embora a falta dele - o tempo -, não me é subtraída a capacidade de observar as pequenas grandes coisas ao meu redor, que dirá os significativos acontecimentos que, aparentemente despretensiosos, em meio ao turbilhão de envolvimentos, batem à minha porta, chamando para um tempo de desaceleração.

Estou eu aqui. Fiz um tempo motivada nas prazerosas angústias do fenômeno que me fez parar.
Há fatos, há circunstâncias. Mas nada comparado às pessoas para fazer reinventar o tempo.

A mim, para reinventar, só aquele que pensa, que sente e que diz, que encanta olhos e ouvidos, boca e nariz.

Sensorial.

E fez-se um encanto, dos sentidos, capaz de recriar o melhor dos tempos [pra mim].
Se transitório, passageiro, quem sou eu para julgar?

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Hilda Hilst - à frente de seu tempo

Ando meio-totalmente sem tempo para produzir escritos nos últimos 30, 35, 40 (sei lá) dias, porém para ler produções, ah!, sempre construo o tempo!
É que muitas das reproduções de ideias impressas em páginas de livros ou jogadas na rede, têm o dom de me provocar absurdamente; absorta, encadeiam pensares, surgem ideias inusitadas, ou simplesmente reproduzem alguns 'aquilos' que já pensei.
A crônica a seguir, senão pela mensagem propriamente, vale para lembrar - ou apresentar - Hilda Hilst (1930 - 2004), uma mulher que foi à frente de seu tempo, que merece ser lida.  [não sei por que, mas essas 'donas fulanas' ou 'senhores beltranos' de mesmo naipe, sempre me encantaram.]


Delicatessen

- Crônica de Hilda Hilst para o Correio Popular de Campinas-SP -

Você nunca conhece realmente as pessoas. O ser humano é mesmo o mais imprevisível dos animais. Das criaturas. Vá lá. Gosto de voltar a este tema. Outro dia apareceu uma moça aqui. Esguia, graciosa, pedindo que eu autografasse meu livro de poesia, "tá quentinho, comprei agora". Conversamos uns quinze minutos, era a hora do almoço, parecia tão meiga, convidei-a para almoçar, agradeceu muito, disse-me que eu era sua "ídala", mas ia almoçar com alguém e não podia perder esse almoço. Alguém especial?, perguntei. Respondeu nítida: "pé-de-porco". Não entendi. Como? "Adoro pé-de-porco, pé-de-boi também". Ahn... interessante, respondi. E ela se foi apressada no seu Fusquinha. Não sei por que não perguntei se ela gostava também de cu de leão. Enfim, fiquei pasma. Surpresas logo de manhã.

Olga, uma querida amiga passando alguns dias aqui conosco, me diz: pois você sabe que me trouxeram uma noite um pé-perna de porco, todo recheado de inverossímeis, como uma delicadeza para o jantar? Parecia uma bota. Do demo, naturalmente. E lendo uma entrevista com W. H. Auden, um inglês muito sofisticado, o entrevistador pergunta-lhe: "O que aconteceu com seus gatos?" Resposta: "Tivemos que matá-los, pois nossa governanta faleceu". Auden também gostava de miolo, língua, dobradinha, chouriços e achava que "bife" era uma coisa para as classes mais baixas, "de um mau gosto terrível", ele enfatiza. E um outro cara que eu conheci, todo tímido, parecia sempre um urso triste, também gostava de poesia... Uma tarde veio se despedir, ia morar em Minas... Perguntei: "E todos aqueles gatos de que você gostava tanto?" Resposta: "Tive de matá-los". "Mas por quê?!" Resposta: "Porque gatos gostam da casa e a dona que comprou minha casa não queria os gatos". "Você não podia soltá-los em algum lugar, tentar dar alguns?" Olhou-me aparvalhado: "Mas onde? Pra quem?" "E como você os matou?" "A pauladas", respondeu tranqüilo, como se tivesse dado uma morte feliz a todos eles. E por aí a gente pode ir, ao infinito. Aqueles alemães não ouviam Bach, Wagner, Beethoven, não liam Goethe, Rilke, Hölderlin(?????) à noite, e de dia não trabalhavam em Auschwitz? A gente nunca sabe nada sobre o outro. E aquele lá de cima, o Incognoscível, em que centésima carreira de pó cintilante sua bela narina se encontrava quando teve a idéia de criar criaturas e juntá-las? Oscar, traga os meus sais.

(Segunda-feira, 1 de março de 1993)

terça-feira, 6 de abril de 2010

'As mil e uma Noites' e os presentes da vida




Imagem da rede. Autoria desconhecida.



Hoje recebi visita e com ela um presente, um não, dois, quer dizer, três, ou melhor... me perco em contas quanto a tudo que vem desta pessoa.

O primeiro presente foi a visita propriamente. É que se trata de uma das raras pessoas de que tenho profunda admiração, que fez e faz toda diferença no curso da minha vida.

O segundo foi o cumprimento de uma promessa. A entrega de um tesouro, escolhido a dedo, embalado na lembrança remetida a mim quando por ele foi relido em suas férias. Um tesouro rico em preciosidades. Ganhei de presente a obra 'As mil e uma Noites'!!!

Só mesmo quem penetrar as entranhas e teias de m'alma para acertar tão pontualmente o alvo, fazendo meus olhos brilhar e, afoita, desmanchar o embrulho feito criança.

Depois que a visita se foi, fiquei pensando sobre os presentes que a vida vai nos oferecendo ao longo de seu transcurso. São tantos! A pessoa da visita, por exemplo, é um dos mais belos presentes que a vida a mim ofereceu.

Enquanto terceiro presente, com ele aprendi um tanto mais sobre o céu e o inferno, sobre o doce e o amargo, sobre o agridoce do fel. Aprendi do sano e do insano, do seguro e inseguro, da certeza e incerteza, do efêmero, do eterno. Apreendi o sublime e a sublimação. Aprendi da singularidade dos seres e das plurais pessoas protocolares. Aprofundei sobre os que pensam, dos que apenas tentam, daqueles que não conseguem ou não querem pensar. Concluí das ilimitadas capacidades e possibilidades, e das limitações.
Aprendi que múltiplos podem ser os sonhos e projetos
e que num gesto apenas
tudo pode mudar de direção.
E muda.
E que mudanças podem inicialmente parecer sinônimo de frustração, mas que com o tempo descobrimos tinham outra especial função. Descobri com ele que pensar é fácil, ou melhor involuntário, quando se é atiçado por falas de um interlocutor inteligente, sensível, provocativo. E que essa tal inteligência só encontra eco noutra mente de percepção similar. E que as falas entre dois similares são intermináveis, secam a garganta, fazem esvair o tempo das horas como se frações de segundos fossem. E que histórias são construídas de falas, ora fundadas em expectativas, ora em pura despretensão.
...e que parecer/significar Sherazade pode ser, para o outro, nossa única missão.
Mil e uma noites é pouco para tantas ideias. Mil e uma vidas talvez fosse o bastante.
Fim (atemporal).

O presente fez ainda lembrar uma leitura de mais de década. Fala por si só.

As Mil e Uma Noites  (Rubem Alves)



As mil e uma noites é uma estória da luta entre o vento impetuoso e o sopro suave. Ela revela o segredo do amor que não se apaga nunca.
Um sultão, descobrindo-se traído pela esposa a quem amava perdidamente, toma uma decisão cruel.
Não podia viver sem o amor de uma mulher. Mas também não podia suportar a possibilidade da traição.
Resolve, então, que iria se casar com as moças mais belas dos seus domínios, mas depois da primeira noite de amor, mandaria decapitá-las. Assim o amor se renovaria a cada dia em todo o seu vigor de fogo impetuoso, sem nenhum sopro de infidelidade que pudesse apagá-lo.
Espalham-se logo, pelo reino, as notícias das coisas terríveis que aconteciam no palácio real:
-As jovens desapareciam, logo depois da noite nupcial.
Sheherazade, filha do vizir, procura então o seu pai e lhe anuncia sua espantosa decisão:
- Desejava tomar-se esposa do sultão.
O pai, desesperado, lhe revela o triste destino que a aguardava, pois ele mesmo era quem cuidava das execuções. Mas a jovem se mantém irredutível. A forma como o texto descreve a jovem Sheherazade é reveladora. Quase nada diz sobre sua beleza. Faz silêncio total sobre o seu virtuosismo erótico. Mas conta que ela lera livros de toda espécie, que havia memorizado grande quantidade de poemas e narrativas, que decorara os provérbios populares e as sentenças dos filósofos. E Sheherazade se casa com o sultão.
Realizados os atos de amor físico que acontecem nas noites de núpcias, quando o fogo do amor carnal já se esgotara no corpo do esposo, quando só restava esperar o raiar do dia para que a jovem fosse sacrificada, ela começa a falar... Conta estórias... 
Suas palavras penetram os ouvidos vaginais do sultão. Suavemente, como música. O ouvido é feminino, vazio que espera e acolhe, que se permite ser penetrado. A fala é masculina, algo que cresce e penetra nos vazios da alma. Segundo antiqüíssima tradição, foi assim que o deus humano foi concebido:
- Pelo sopro poético do Verbo divino, penetrando os ouvidos encantados e acolhedores de uma Virgem.
O corpo é um lugar maravilhoso de delícias. Mas Sheherazade sabia que todo amor construído sobre as delícias do corpo tem vida breve. A chama se apaga tão logo o corpo se tenha esvaziado do seu fogo.
O seu triste destino é ser decapitada pela madrugada:
- Não é eterno, posto que é chama...
E então, quando as chamas dos corpos já se haviam apagado, Sheherazade sopra suavemente. 
Fala... Erotiza os vazios adormecidos do sultão. Acorda o mundo mágico da fantasia. 
Cada estória contém uma outra, dentro de si, infinitamente. Não há um orgasmo que ponha fim ao desejo. E ela lhe parece bela, como nenhuma outra.  Porque uma pessoa é bela, não pela beleza dela, mas pela beleza nossa que se reflete nela...
Conta a estória que o sultão, encantado pelas estórias de Sheherazade, foi adiando a execução, por mil e uma noites, eternamente e um dia mais. Não se trata de uma estória de amor, entre outras. É, ao contrário, a estória do nascimento e da vida do amor. O amor vive neste sutil fio de conversação, balançando-se entre a boca e o ouvido.
Sônia Braga, ao final do documentário de celebração dos 60 anos do Tom Jobim, disse que o Tom era o homem que toda mulher gostaria de ter.  E explicou: -''Porque ele é masculino e feminino ao mesmo tempo... '' o segredo do amor é a androgenia: - Somos todos, homens e mulheres, masculinos e femininos ao mesmo tempo. É preciso saber ouvir. Acolher. Deixar que o outro entre dentro da gente. Ouvir em silêncio. Sem expulsa-lo por meio de argumentos e contra-razões. Nada mais fatal contra o amor que a resposta rápida. Alfanje que decapita. Há pessoas muito velhas cujos ouvidos ainda são virginais:
-Nunca foram penetrados. E é preciso saber falar. Há certas falas que são um estupro. Somente sabem falar os que sabem fazer silêncio e ouvir. E, sobretudo, os que se dedicam à difícil arte de adivinhar:
- Adivinhar os mundos adormecidos que habitam os vazios do outro.
As mil e uma noites são a estória de cada um. Em cada um mora um sultão. Em cada um mora uma Sheherazade. Aqueles que se dedicam à sutil e deliciosa arte de fazer amor com a boca e o ouvido (estes órgãos sexuais que nunca vi mencionados nos tratados de educação sexual...) podem ter a esperança de que as madrugadas não terminarão com o vento que apaga a vela, mas com o sopro que a faz reacender-se.







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segunda-feira, 5 de abril de 2010

E ses

E se fosse o tempo menos corrente
E se fosse a gente bem mais displicente
E se fosse o modo sentido coerente
E se fosse a forma menos reticente
E se fosse o verbo maldito e decente
E se fosse o olhar entorpecente
E se fosse percebida a alma ardente
E se fosse o mínimo visto grandemente
E se convertido o subliminar em desejo pronunciado claramente
E se fosse ludibriado o inconsciente
Permitido desvelar o segredo premente
Que invoca extirpar os ‘E ses’ reincidentes
Restaria tão-somente VIDA, pois vi_vida,
Simplesmente.

[Maria Janice Vianna, no outubro de 2005]

quinta-feira, 1 de abril de 2010

É ouro puro: Não precisa casar... (Flávio Gikovate)




Water Serpents ll c1907, detail-2  Gustav Klimt

Gosto deste artigo. Destaco alguns trechos apenas pra provocar. A íntegra está no link, no final.
Faz pensar a diferença entre individualidade e egoísmo; o significado de amor romântico no imaginário social; as razões para a superação do modelo de união fruto do amor romântico; a felicidade a dois sob novas formas; a felicidade sem ser a dois etc. Há novas formas. Pouco importa a escolha, importa é se sentir confortável nela.

Não precisa casar. Sozinho é melhor
Entrevista com Flávio Gikovate - revista Veja

"Com 41 anos de clínica, o médico psiquiatra Flávio Gikovate, assistiu ao impacto da chegada da pílula anticoncepcional na década de 60 e a constituição das famílias contemporâneas, que agregam pessoas vindas de casamentos do passado. Suas reflexões sobre o amor ao longo desse tempo foram condensadas no seu 26º livro, Uma História de Amor... com Final Feliz. Na obra, a oitava sobre o tema, Gikovate ataca o amor romântico e defende o individualismo, entendido não como descaso pelos outros e sim como uma maneira de aumentar o conhecimento de si próprio."
"Os relacionamentos que não respeitam a individualidade estão condenados a desaparecer. Isso de certa forma já ocorre naturalmente. No Brasil, o número de divórcios já é maior que o de casamentos no ano. Atualmente, muitos homens e mulheres já consideram que ficarão sozinhos para sempre ou já aceitam a idéia de aguardar até o momento em que encontrarão alguém parecido tanto no caráter quanto nos interesses pessoais. Se isso ocorrer, terão prazer em estar juntos em um número grande de situações. Nesse novo cenário, em que há afinidade e respeito pelas diferenças, a individualidade é preservada. Eu estou no meu segundo casamento. Minha mulher gosta de ópera. Quando ela quer ir, vai sozinha. E não há qualquer problema nisso."
"Não há nada de errado em ser individualista. Muitos dos autores contemporâneos têm uma postura crítica em relação a isso. Confundem individualismo com egoísmo ou descaso pelos outros. São conceitos diferentes.(...) O individualismo corresponde a um crescimento emocional. Quando a pessoa se reconhece como uma unidade, e não como uma metade desamparada, consegue estabelecer relações afetivas de boa qualidade. Por tabela, também poderá construir uma sociedade mais justa. Conhecem melhor a si próprio e, por isso, sabem das necessidades e desejos dos outros. O individualismo acabará por gerar frutos muito interessantes e positivos no futuro. Criará condições para um avanço moral significativo."
"Os solteiros que estão mal são os que ainda sonham com o amor romântico. Pensam que precisam de outra pessoa para se completar. Como Vinicius de Moraes, acham que que 'é impossível ser feliz sozinho'. Isso caducou. Daí, vivem tristes e deprimidos."
"As razões que levavam as mulheres a ter necessidade de casar não se sustentam mais. Nas universidades, o número de moças é superior ao de rapazes. Em poucas décadas elas ganharão mais que eles." 
 
http://veja.abril.com.br/entrevistas/flavio_gikovate.shtml

quarta-feira, 31 de março de 2010

Ter trecho

Estar na estrada há mais de 40 anos, com sede de saber, com ouvidos atentos às experiências alheias, somados às próprias experiências, nos dá trecho.

Ter trecho tem suas vantagens. Faz concluir com maior rapidez a respeito do que nos esteja sendo apresentado, seja de que natureza for - embora não seja garantia de concluir com acerto, até porque ter trecho significa saber, também, que na vida nada tem garantias.

Enfim. Vou concluindo que estar atento a fatos que digam com o comportamento humano é um belo exercício de raciocínio e compreensão, facilitando o trânsito regular pela vida.
Meio óbvio isso, bem sei, mas a vida é cheia de obviedades que passam 'batido' pra muitos - e passar batido nem sempre é a melhor pedida. Ou seria, se a escolha for ficar na boa e velha zona de conforto, incorrendo nos mesmos erros, tidos como acertos?
Vai saber...

sábado, 13 de março de 2010

Provocada por Abujamra e Senghor

Mulher madura, sem firmeza da carne, tesa em outros atributos: atitudes, vontades. Mulher madura de seguros e singulares sins e nãos.


sábado, 6 de março de 2010

Do twitter

Ai! hoje o sarcasmo resolveu me visitar enquanto lia algumas coisas. Então, corri pro twitter, postando:

Centrifugar comportamentos dá nisso: polpa de_mente.
(deu pra perceber? ã, ã?)